A região – Prefácio

3 Ago

Já todos sabiam que a poderosa arte das milícias contratadas pelo governo prometia uma feroz batalha contra o engenho dos independentistas e da sua guerrilha, no entanto enquanto os independentistas pretendiam sobreviver para lutar mais um dia, as milícias pretendiam vencer em menos do que um dia.

O terreno ajudava a alusiva presença dos independentistas, que apreciavam a emboscada na calada da noite, uma densa vegetação estendia-se pela reivindicação dos independentistas, um pequeno ribeiro provia água fresca aos independentistas que vinha das neves das montanhas a Este, no território controlado pelo governo.

As pretensões dos independentistas eram simples, queriam experimentar a anarquia regulada, seguidores das ideia de Le Guin, tinham toda a sua vasta bibliografia e era o seu bem mais precioso, proclamaram guerra ao governo com base nas ideias explanadas pela sua grande rival Ayn Rand, a grande mente capitalista e individualista. Exasperavam pelo facto de actualmente as relações inter-pessoais não existirem, era também curioso que uso de força fosse algo recorrente pela parte do governo, aliás era umas das poucas contradições ao exposto pela mentora da sua ideologia.

Os independentistas viviam, em túneis escavados nos terrenos calcários da região pela água que escorria debaixo do solo, os 200 hectares que eram reivindicados pelos independentistas não eram nem melhores nem piores que as restantes partes do território do País, apenas foram escolhidos por não serem habitados e fornecerem abrigo. Ao contrário do mundo lá fora aqui cada um não fazia o que lhe trazia melhor proveito, mas o que trazia melhor proveito à comunidade, embora não houvesse regulação todos tinham a missão de que nada faltasse a ninguém, foram necessários anos (e erros) para que o processo de recrutamento escolhesse as pessoas certas para se juntarem à causa.

Eles sabiam que a independência nunca seria confirmada ou sequer comunicada pelo governo, para o governo os independentistas eram simples moscas que precisavam de ser enxotadas, no entanto já 15 anos passavam desde a primeira presença e insurreição dos independentistas e eles lá continuavam. Um novo governo tinha sido eleito e mandatado para eliminar esta presença incómoda, mas silenciosa.